16/Fevereiro/2004
Coque de Petróleo: Parte 3 - Perspectivas

Disponibilidade

A longo prazo, a capacidade de produção de coque de petróleo apresentará expansão. Sua taxa de crescimento deverá ser, inclusive, maior que a tendência de crescimento do consumo. Isto deverá contribuir para a diminuição dos preços internacionais nos próximos anos. Algumas empresas de Trading informam que, atualmente, já não há compradores de coque de petróleo suficientes para absorver todos os estoques disponíveis.

Hoje, o maior obstáculo na ampliação do uso do coque é que o produtor tem somente dois grupos a atingir: As companhias de cimento e as geradoras de energia. De acordo com os analistas, a indústria de cimento está chegando a um ponto de saturação e seu ritmo de crescimento é inferior ao de produção de coque. Assim, o que resta é o mercado de geração de energia, já que somente 50% das plantas geradoras de energia a combustível sólido do mundo usam alguma mistura de coque de petróleo como combustível.

As termelétricas de países com padrões estritos de emissões de SOx já instalaram sistemas de dessulfurização dos gases de exaustão em suas plantas, pois sem isso não poderiam utilizar sequer o carvão. Esta é uma vantagem para o coque de petróleo, já que a diferença entre as emissões de SOx de plantas que migraram de carvão para coque são pequenas.

Uma alternativa de mercado que está emergindo são as próprias refinarias. ExxonMobile, ChevronTexaco, Shell e outras usam suas tecnologias para queimar o coque que produzem em leito fluidizado, como fonte de aquecimento em seus equipamentos. Algumas de suas refinarias começaram a instalar sistemas que usam o coque de petróleo tanto para gerar eletricidade quanto para obter produtos petroquímicos e hidrogênio.

Há um crescente interesse no uso de coque de petróleo em plantas termelétricas futuras. Empresas do ramo nos EUA já manifestaram interesse de utilizar o coque de petróleo em novas plantas de até 1000 MWe, em associação com as companhias petrolíferas. Cada uma dessas plantas consumiria de 2 a 4 milhões de toneladas de coque por ano. As tecnologias em estudo para utilização nesses casos são:

  • Ciclos de Rankine com reaquecimento, utilizando 4 caldeiras CFB(Circulating Fluidized Bed) e 2 turbinas multi-estagiadas com condensação de 500 MW (rendimento global de 23% e custo de implantação de US$ 1.250 por kW instalado);


  • IGCC (Integrated Gasification Combined-Cycle), usando a tecnologia E-Gas em 4 gaseificadores pressurizados de fluxos reativos de dois estágios com injeção de coque pulverizado, oxigênio e vapor, associados a 4 turbinas a gás de 180 MW, 4 caldeiras de recuperação (HRSG) e 2 turbinas a vapor 180 MW (rendimento global de 42% e custo de implantação de US$ 1.750 por kW instalado).

Caso venham a ser implantadas, cada termelétrica absorveria o incremento anual previsto na produção mundial de coque, o que poderia vir a ser um fator de influência no preço desse combustível.

Preços

Vários fatores influenciam o preço de mercado do coque de petróleo. Quando o preço internacional do carvão aumenta, a demanda por coque de petróleo também aumenta. Na visão dos analistas, a alta do preço internacional do carvão geralmente é o que mais influencia na alta do preço do coque de petróleo, usualmente com um atraso de cerca de 3 meses. Por outro lado, a diminuição de preços no mercado mundial de carvão resulta quase que instantaneamente na diminuição do preço do coque de petróleo, já que os usuários reagem imediatamente, retomando ao consumo de um produto cujo uso é mais conveniente, se seu preço é mais acessível.

Como exemplo, em 1999-2000, a compra de coque de petróleo pelas empresas geradoras de energia caiu significativamente. A diminuição foi resultado do decréscimo no preço do carvão, que tornou este produto de maior qualidade também mais atrativo em comparação com o coque de petróleo. Por outro lado, neste início de 2004 o hemisfério norte vive um rigoroso inverno e os preços do carvão (e também do petróleo) subiram, trazendo consigo um aumento temporário dos preços do coque.

Para o consumidor industrial brasileiro, o comportamento dos preços do coque de petróleo deve seguir dois rumos diferentes, conforme a origem do produto. O coque de alto enxofre importado deverá seguir a tendência do mercado internacional. O preço do coque nacional, de baixo enxofre, deverá seguir atrelado ao preço do óleo combustível, sempre em patamares superiores aos do produto importado.

O mercado de coque de alto enxofre (importado) tem algumas peculiaridades associadas ao fato de ter oferta essencialmente inelástica. Os analistas observam que o coque de petróleo é um combustível cujo preço é volátil, pois ele é essencialmente um subproduto. A quantidade de coque de petróleo que uma refinaria produz tem pouco ou nada a ver com o mercado de coque de petróleo. De fato, as refinarias não decidem produzir mais coque de petróleo quando o mercado cresce ou o preço sobe. A única razão para a produção de coque de petróleo crescer é quando maiores quantidades de frações pesadas de petróleo são convertidas em frações mais leves, como combustível de aviação, que criam mais resíduos. Por outro lado, se uma refinaria está produzindo mais frações pesadas, como óleo combustível, o processo produz menos coque de petróleo.

O preço do coque de petróleo não se mostrou estável, nos últimos anos. Espera-se que os preços diminuam, impulsionados por expansões nas capacidades de coqueificação das refinarias. De fato, essa capacidade de coqueificação deve aumentar muito nos próximos 5 anos, já que as refinarias trabalham para obter maiores volume de frações leves, partindo de frações pesadas do petróleo, principalmente na Ásia, América do Sul e Caribe.

Entretanto, esse panorama pode sofrer alguma modificação com a eventual entrada em operação de grandes termelétricas a coque nos Estados Unidos. Entretanto, isto não deve ocorrer em menos de 5 anos.

Hoje, os custos relativos dos combustíveis no Brasil podem ser sintetizados na tabela a seguir, que utiliza o óleo combustível A1 como referência (base térmica). Esses valores são meramente referenciais e podem sofrer influência de fatores como frete interno, despesas com processamento, etc.

Combustível Custo Relativo
Carvões East American (Norte-Americano) 35 %
Richard’s Bay (Sul-Africano) 23 %
Colombian 25 %
Coques de Petróleo 4,5% S / 40 HGI / Gulf 15 %
6,5% S / 40 HGI / Gulf 9%
1,0% S / 50 HGI / BR 40 %
Óleos Combustíveis BR tipo 1 A 100 %
BR tipo 7 A 65 %
Gás Natural Comgas 105 %
Biomassa Bagaço de Cana (SP) 35 %


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