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1/Novembro/2004
Aumento de Eficiência Energética

O conceito de aumento de eficiência energética traz consigo a idéia de passar a realizar um trabalho ou processo utilizando menos energia do que se empregava inicialmente. Como em todo processo de melhoria, verifica-se que algumas poucas medidas até certo ponto simples e pouco dispendiosas podem trazer resultados bastante satisfatórios e, em alguns casos, surpreendentes. À medida que essas medidas iniciais são adotadas e seus frutos colhidos, torna-se mais difícil encontrar novas medidas que tragam resultados interessantes. Dessa forma, dentro dos processos de melhorias contínuas que as empresas têm posto em prática, fica cada vez mais difícil a obtenção de resultados significativos.

Medidas simples, como as tomadas na época do racionamento de energia elétrica em 2001, reduziram o consumo das residências em torno de 20%, e provou-se que era possível conter os gastos sem sacrifícios exagerados. Muitas famílias incorporaram os hábitos que geraram aquela economia significativa. Entretanto, caso hoje tivéssemos que obter a marca de 20% de economia sobre nossa média recente de consumo, as coisas seriam bem mais difíceis. Na indústria, isso não é diferente.

Diversos setores industriais no Brasil passaram pela fase de busca de melhorias de eficiência de uma maneira geral, incluindo o aspecto energético, e resultados significativos foram alcançados. Novas melhorias são necessárias, mas a obtenção de ganhos está cada vez mais difícil. Neste ponto, passa a ser necessária uma abordagem mais técnica, mais profunda e mais crítica do assunto. O cenário atual mostra as empresas mobilizadas na busca das melhores ferramentas para a obtenção de resultados no aumento de sua eficiência energética, com foco em energia elétrica e redução de consumo ou substituição de combustíveis.

Atualmente, duas vertentes para os trabalhos de eficiência energética são as mais utilizadas: a modalidade representada pelas chamadas ESCOs e a modalidade caracterizada pela execução de Estudos Especializados. Ambas buscam cortar gastos com ineficiências, sejam elas de processo, mecânicas ou elétricas, porém com abordagens comerciais diferentes.

Medida de aumento de eficiência energética que pode parecer óbvia mas é encontrada freqüentemente, refere-se à aplicação de isolamentos térmicos. Por exemplo, um tanque metálico com volume de 300 m3, que necessite ser aquecido para manter um líquido armazenado a 80ºC, perde para o ambiente cerca de 100kW se não estiver isolado. Se fosse aplicado um isolamento térmico apropriado, a perda térmica poderia ser reduzida a cerca de 25kW. Dependendo da forma como é feito, o aquecimento do equipamento, o retorno no investimento com isolamento pode se dar entre 4 a 8 meses.

Com as empresas da categoria ESCO (Empresa de Serviços e Conservação de Energia), os investimentos necessários para a implantação do projeto podem ou não ser divididos entre a ESCO e a empresa cliente, assim como os ganhos também são repartidos de forma previamente combinada e formalizada através de um contrato de desempenho. Eventualmente, um agente financeiro ligado à ESCO também participa do processo, sendo remunerado pelo capital emprestado. Este tipo de contrato geralmente é utilizado por empresas com orçamento limitado ou com deficiência de pessoal técnico especializado na área de energia e que passam a depender em larga escala da ESCO para diagnosticar e pôr em prática as recomendações de economia.

Por outro lado, empresas com capital disponível para investimentos e certo grau de capacitação técnica para implantar medidas de aumento de eficiência energética têm preferido a contratação de especialistas que, por um valor fixo, realizam estudos profundos e diagnósticos nas unidades industriais, detectando oportunidades de melhorias. Neste caso, os investimentos ficam totalmente a cargo da empresa cliente, porém os ganhos com as economias obtidas após a implementação das medidas de aumento de eficiência revertem integralmente para suas unidades industriais.

Foi-se o tempo em que medidas de aumento de eficiência energética de impacto eram apenas utilizar isolamento térmico, eliminar vazamentos de vapor e ar comprimido em tubulações, verificar purgadores, substituir iluminação a vapor de mercúrio por vapor de sódio, substituir motores elétricos superdimensionados por novos motores de capacidade adequada e de alto rendimento, entre tantas outras medidas hoje consideradas triviais. No atual cenário, é necessária uma abordagem muito mais aprofundada.

Um exemplo prático: pré-aquecimento do ar de combustão em fornos cerâmicos a gás. Em um forno do tipo túnel, se houver o pré-aquecimento do ar de combustão através de processos de "Recuperação de Calor", a economia de gás poderá alcançar 20% do valor da conta de combustível. Frequentemente, projetos de aumento de eficiência energética utilizando esse tipo de recurso têm retorno em menos de 2 anos.

As medidas que podem ser tomadas nas indústrias vão desde a substituição de equipamentos até a mudança de “layout” ou do próprio processo. Na hipótese de se detectarem e implantarem medidas simples com alto retorno econômico, caso a indústria cliente tenha trabalhado com uma ESCO, ambas as empresas terão feito um bom negócio. Por outro lado, caso tais medidas tenham sido fruto de um Estudo Especializado, então a indústria cliente terá feito um excelente negócio.

Cabe aos Diretores, Gerentes Industriais e Gerentes de Engenharia definirem quais caminhos se mostram os mais convenientes para suas empresas hoje e comprovarem os resultados no futuro.

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